terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Soneto da Saudade


Ao ouvir o som daquela velha canção
me transportei a um passado distante
senti uma tristeza me invadir
e doer dentro de mim naquele instante

Recordei-me da grandeza do nosso amor
de doces lembranças, de lindos momentos
da ânsia louca dos teus abraços ardentes
e da suavidade do teu beijo lento

Daquela doce cumplicidade
de um sonho belo de ventura
que faz voltar o pensamento

Para noites passadas de felicidade
aquela recordação que se afigura
do amor vivido, a intensidade.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Soneto de Outono


A brisa fresca vai passando
jogando folhas amarelas pelo chão
os pássaros vão para os seus ninhos
início de outono, fim de verão.

As flores escasseiam nos jardins
fica pesado o ar que era puro
e os pomares carregados
cheios de fruto maduro.

Outono, início do frio
começo de uma estação
traz na alma o arrepio

a dor da desilusão
desespero da saudade
tormento de um coração.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Alma em tormenta


Existe dentro de mim um mundo
de poemas inusitados
que decantam o amor e a paixão
momentos felizes, outrora passados.

Esse poeta que dorme
no meu subconsciente
e acorda de vez em quando
para um grito veemente.

Brado de amor, de desejos proibidos
de saudades de coisas
lembradas e vividas.

Uma chama que devora
amarga e cresce
aos poucos se anula
e desaparece.

Essa mulher viva e sensual
que mora dentro de mim
sofre os desenganos
pela velhice precoce
e o passar dos anos.

Como fera enjaulada
dentro da minha carcaça
ela chora a dor
da sensualidade reprimida
e do tempo que passa.

Tempos idos


Na longa estrada da vida
as flores emurchecidas
que perderam o encanto
e caíram de seu galho
encharcadas de orvalho
como os meus olhos de pranto.

Qual uma estrela luzente
igual meu olhar descrente
que perdeu todo o fulgor
e corta o céu num momento
veloz como o pensamento
alquebrada de amor.

Um sorriso se afigura
como um ritus de amargura
na face, a aura perdida
a alma pende, vazia
como uma noite sombria
pelos caminhos da vida.

Esvanesceu a beleza
dando lugar à tristeza
de uma alvorada sem cor
andando pelos caminhos
cheios de pedras e espinhos
de solidão e amargor.

Eu quero correr na estrada
ver pôr-de-sol, alvorada
e noites lindas de luar
quero ouvir o som das matas
o murmurar das cascatas
e a passarada a cantar.

Sentar perto do regato
sentir o cheiro de mato
e respirar o ar puro
colher as flores do campo
perseguir os pirilampos
comer um fruto maduro.

Quero ver os animais
dar um giro nos currais
para tomar leite quente
mas são apenas lembranças
desses tempos de criança
que voltam, assim, de repente.


Lenitivo


Às vezes paro e analiso
e pouco a pouco eu diviso
muito, até mais que o pensamento
e choro de nostalgia
essa dor que me angustia
e causa tanto sofrimento.

Sinto um grande sufoco
e um desejo tão louco
tomando conta de mim
e fico assim, parada
os olhos fitos no nada
um desalento sem fim.

E fico de mal com a vida
como uma ave ferida
que vive fora do ninho
essa dor da solidão
que trava o meu coração
que vive só, sem carinho.

E as lágrimas descendo
pouco a pouco vão correndo
molhando todo o meu rosto
cada lágrima que cai
é mais um sonho que se esvai
e me mata de desgosto.

E a vida analisando
fico a pensar, até quando
o meu coração aguenta
essa fibra enfraquecida
do cordão da minha vida
até que um dia arrebenta.

Só tenho por companhia
a beleza da poesia
e o reviver da lembrança
Por isso,  em noites de lua
como um barco que flutua
minha rima é a esperança.

Esperança que um dia
alguém de mim lembraria
e me ajudasse na meta
de levar meu pensamento
aos corações em tormento
a alma de um poeta.

Para aliviar as dores
e proteger os amores
e estancar todo o pranto
de alguém que algum dia
perdeu a sua alegria
só por ter amado tanto.