quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Lenitivo


Às vezes paro e analiso
e pouco a pouco eu diviso
muito, até mais que o pensamento
e choro de nostalgia
essa dor que me angustia
e causa tanto sofrimento.

Sinto um grande sufoco
e um desejo tão louco
tomando conta de mim
e fico assim, parada
os olhos fitos no nada
um desalento sem fim.

E fico de mal com a vida
como uma ave ferida
que vive fora do ninho
essa dor da solidão
que trava o meu coração
que vive só, sem carinho.

E as lágrimas descendo
pouco a pouco vão correndo
molhando todo o meu rosto
cada lágrima que cai
é mais um sonho que se esvai
e me mata de desgosto.

E a vida analisando
fico a pensar, até quando
o meu coração aguenta
essa fibra enfraquecida
do cordão da minha vida
até que um dia arrebenta.

Só tenho por companhia
a beleza da poesia
e o reviver da lembrança
Por isso,  em noites de lua
como um barco que flutua
minha rima é a esperança.

Esperança que um dia
alguém de mim lembraria
e me ajudasse na meta
de levar meu pensamento
aos corações em tormento
a alma de um poeta.

Para aliviar as dores
e proteger os amores
e estancar todo o pranto
de alguém que algum dia
perdeu a sua alegria
só por ter amado tanto.






domingo, 7 de dezembro de 2008

Soneto para a mãe


Coração de mãe é um ninho
um cofre de pedras raras
que guarda as lembranças caras
o amor e o carinho.

Coração de mãe é um porto
cheio de paz e calor
é onde nós aportamos
para esconder nossa dor.

Seu regaço é aconchego
trás para a gente sossego
e todo o bem que perdura.

É ternura, é bonança
é um raio de esperança
nas trevas da amargura.

Lembranças


Sofro ao lembrar teu sorriso
até quase que diviso
o teu olhar sedutor
teus apelos, teu carinho
que aos poucos, de mansinho
conquistou o meu amor.

Ainda quis retroceder
tentando te esquecer
não deu, foi tudo em vão
mas a fúria dos desejos
e a doçura dos teus beijos
me deixaram sem ação.

Ao passar esse momento
só tive um pensamento:
sair correndo, fugir
mas amarrada aos teus passos
no aconchego dos teus braços
não consegui resistir.

Como em doce acalanto
fiquei presa ao teu encanto
e na luz do teu olhar
por mais que eu reclamasse
e meus rumos desviasse
não pude me libertar.

A praia


Na praia branca
no azul do mar
navegam meus sonhos
sonhos de bruma
verde de algas
cor de luar
cheiro de espuma
lembra a ternura
de um momento
que longe vai
deixando um rastro
na areia úmida
e se esvai.

Soneto de angústia


Lá fora, o vento frio, o açoite
E aqui, meu pensamento vário
Que a vida molda ao contrário
E dentro d'alma avança a noite.

A solidão que me angustia
Que apavora, que me aterra
Com toda dor que ela encerra
Dentro da minh'alma vazia.

Tento reter algum momento
De alegria e de prazer
Mas logo muda em sofrimento.

Minha vontade e viver
Mas a lembrança me tortura
E me abandona o pensamento.